OBESIDADE NOS ANIMAIS

Em um tempo de grandes preocupações com saúde e qualidade de vida, é importante que atentemos também para os cuidados com nossos animais.

Dias corridos, espaços menores, donos com menos tempo, cada vez precisando de mais praticidade. A mudança do estilo de vida de muitas famílias ao longo dos anos fez com que a rotina dos animais de estimação também sofresse significativas alterações, que envolvem menos exercício e mais comida à disposição. Isto, aliado a predisposições endocrinológicas tem feito com que o inimigo da obesidade, que prometia perseguir ferozmente os humanos do século XXI, não deixasse para trás seus bichinhos. Uma pesquisa realizada na Grã Bretanha sugere que um entre três animais encontra-se em tal situação. No Brasil, um a cada quatro gatos que visitam o veterinário estão obesos. Com isto, vem crescendo exponencialmente o número de doenças cardíacas e renais em animais domésticos, bem como os casos de diabetes tipo II e problemas nas estruturas ósseas, como osteoporose. Como conseqüência, muitos animais tendem a ficar deprimidos, podendo desenvolver distúrbios neuróticos e chegar até à automutilação.

O que é a obesidade?

A obesidade é diagnosticada quando o animal encontra-se 20% acima de seu peso ideal. Há três fatores que podem causar o problema: predisposição genética, alterações hormonais e dieta inadequada. Outros fatores que também podem interferir são o mal funcionamento da glândula tireóide ou a castração do animal, que tendem a diminuir o ritmo metabólico. Ainda, caso o bicho não possua então uma dieta adequada (conceito que envolve tanto alimentação quanto exercícios), é natural que ele tenda a engordar facilmente. O conceito é o mesmo que vale para os humanos: quando o organismo ingere mais calorias do que consome, a energia excedente é transformada em gordura, que tende a se acumular no corpo com o tempo. O primeiro passo, assim, para enfrentar a obesidade é reavaliar se seu bichinho está recebendo uma alimentação adequada às suas necessidades nutricionais e energéticas.

Cuidando da Alimentação

O tipo de ração está certo?
Cada animal precisa de um diferente tipo de ração, conforme sua raça, porte, idade e estilo de vida. Os filhotes, por exemplo, precisam de uma maior quantidade de nutrientes e proteínas, o que faz com que as rações para eles sejam mais calóricas. Animais adultos que estejam ingerindo estes alimentos fora de orientação veterinária estarão, assim, ingerindo quantidades de energia bem acima das que necessitam.

Dica: Para reduzir o teor calórico da alimentação do seu animal, procure incluir mais fibras em sua dieta. Elas manterão a quantidade de comida, porém sem adicionar calorias. De quebra, elas são bastante saudáveis e ajudam na digestão.

Estão sendo fornecidos os complementos alimentares adequados?
Os animais, em geral, precisam de mais do que ração para receber uma alimentação nutricionalmente completa. Os pássaros, por exemplo, devem ingerir frutas e verduras de 2 a 3 vezes por semana. Contudo, é preciso que a quantidade destes complementos seja controlada, sejam eles tanto industrializados como naturais. O mesmo vale ainda para os petiscos oferecidos como agrados ou recompensas, pois a maioria destes produtos possui poucos nutrientes e alto valor calórico.

Você sabia?
Muitos animais acabam comendo em excesso por se se sentirem carentes e solitários, da mesma forma que fazem os humanos.

Outras dicas para Combater o Problema

• É importante que, antes de tudo, o dono assuma que seu animal está acima do peso. A idéia de que os animais são gordos porque estão sendo bem tratados é um grande e perigoso mito.

• Cuide da disponibilidade da comida. Enquanto alguns animais, como os pássaros, devem ter seus comedouros sempre cheios, cães precisam de uma rotina alimentar com horários fixos, com freqüências e quantidades variando conforme cada raça. Alguns bichinhos “gulosos” acabam comendo mais por terem sempre seus potes cheios à disposição.

• Apenas forneça petiscos a seu animal raramente, de preferência apenas quando estiver treinando-o para alguma coisa. Tome também cuidado para não cair no mito de que os petiscos de cães limpam seus dentes: essa é uma grande mentira, pois o que limpa a boca do animal é a ação mecânica de roer, e não o alimento em si.

• Estimule seu bichinho a fazer exercício. Jogue a bolinha. Leve-o ao parque. Você se surpreenderá como estes momentos podem ser prazerosos. De quebra, até você emagrecerá um pouco.

• “Desengaiole” um pouco o seu animal (se este for o caso!). Certos animais, como os ferrets e as chinchilas, precisam sair um pouco de suas gaiolas para correr e brincar. Reserve um momento todo dia para que seu pet faça isso. Ainda, esqueça de dar a ele uma gaiola com espaço suficiente para que se movimente nos outros momentos do dia e brinquedos que permitam exercício (como cordas para pássaros e a famosa rodinha giratória para hamsters).

Reflexão: o papel do dono

É importante sempre ter em mente que os animais vieram para os nossos lares sob nossa escolha e responsabilidade. Antes de tudo, é importante ter bom senso: não leve para casa um animal que não terá espaço suficiente para se movimentar nela. Não coloque um pastor alemão dentro de um apartamento – os animais de maior porte não foram feitos para esta vida de aprisionamento. Ainda, pare um momento para analisar sua rotina e reflita se está dando atenção suficiente ao seu animal para que ele tenha uma vida saudável e feliz. Já no caso de você ainda não possuir um pet mas estar pensando em adotar um, pense se realmente conseguirá arcar com as necessidades dele por todo o tempo que ele viver.Os animais devem nos trazer alegria às nossas casas, mas a recíproca também é verdadeira.

 
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